19 de nov. de 2025

Lula proíbe o uso de "todes" e linguagem neutra no governo.




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.263/2025, que institui a Política Nacional de Linguagem Simples e, ao mesmo tempo, proíbe o uso de linguagem neutra em qualquer documento, comunicação ou material produzido pela administração pública federal, estadual e municipal.

A decisão impede o uso de termos como “todes”, “elu”, “amigxs” ou outras formas consideradas “não reconhecidas pela norma culta da língua portuguesa”.


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Comunicação clara passa a ser diretriz oficial

A lei estabelece que toda comunicação pública deve seguir padrões de clareza, objetividade e acessibilidade. O texto determina que servidores e órgãos públicos utilizem:

frases curtas e diretas;

preferência por voz ativa;

estruturas simples, sem interrupções;

eliminação de termos vagos ou técnicos desnecessários;

fidelidade ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e ao Acordo Ortográfico.


O objetivo declarado é facilitar o entendimento da população sobre documentos e serviços públicos.


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Proibição explícita da linguagem neutra

O ponto que gerou mais repercussão é o artigo 5º, que veta o uso de “novas flexões de gênero e número” que não estejam previstas na gramática formal.

Na prática, a proibição atinge a linguagem neutra, adotada por parte da comunidade LGBTQIA+ e por movimentos que defendem alternativas linguísticas para pessoas não binárias.

As formas tradicionais — como “todos” e “todas” — permanecem como obrigatórias nos atos oficiais.


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Origem e tramitação do projeto

A proposta nasceu no Congresso por meio do PL 6.256/2019, apresentado pela deputada Erika Kokay (PT-DF), inicialmente com foco apenas na linguagem simples. Ao longo da tramitação, no entanto, foi incluída uma emenda apresentada pelo deputado Junio Amaral (PL-MG), tornando obrigatória a proibição da linguagem neutra.

No Senado, o texto foi relatado por Alessandro Vieira (MDB-SE) e aprovado. Na Câmara, a modificação que vedava a linguagem neutra foi mantida e acabou incorporada ao projeto final sancionado por Lula.


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Debate sobre inclusão e norma linguística

A sanção reacende discussões sociais e políticas:

Inclusão de pessoas não binárias: movimentos sociais afirmam que a proibição limita formas de expressão e visibilidade dessas identidades.

Unificação da linguagem oficial: apoiadores defendem que o Estado deve usar exclusivamente a norma culta, garantindo padronização nacional.

Liberdade de expressão: especialistas debatem até onde o governo pode intervir nas escolhas linguísticas, especialmente em contextos educacionais e culturais.

Precedentes jurídicos: o STF já considerou inconstitucionais leis municipais que proibiam linguagem neutra em escolas, o que pode gerar novos questionamentos.



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Impacto imediato

Com a sanção, todos os órgãos públicos deverão revisar:

sites e plataformas digitais;

documentos oficiais;

formulários;

materiais didáticos produzidos por instituições públicas;

campanhas e comunicados institucionais.


A norma entra em vigor imediatamente, e entidades públicas terão de se adequar progressivamente ao novo padrão.


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